O corpo, como locus onde o sujeito (de)encontra o mundo ao seu redor, é o ponto de partida para um campo de possibilidades transformadoras. Corpo pertencente à gramática do desejo, surgindo como ato na linguagem que pela via da identificação se introduz na economia do gozo – corpo pulsional, provocado pelo Outro Real, representado ocasionalmente pela mãe, que institui o existente humano a partir de uma carência que é sua (do Outro), se instituindo pouco a pouco como sujeito do desejo. Que corpos são esses, atravessados por forças históricas, políticas e subjetivas? Que potências podem ser mobilizadas quando, na escuta psicanalítica, esses corpos fa(ca)lam e reinv(t)entam suas ex-sistências?
Este encontro se propõe a pensar ações afirmativas e criativas que utilizem a psicanálise como ferramenta prática e simbólica de transformação social, buscando fortalecer a potência de sujeitos e comunidades a partir da singularidade de suas vivências corporais.
Seja o corpo biológico, objeto da medicina e de intervenções cirúrgicas, o corpo social, moldado pelas forças das normas coletivas, ou o corpo político, que se ergue como território de resistência e luta, todos carregam camadas de significação que ultrapassam seus limites aparentes. Mais que uma análise teórica, o desafio aqui é convocar práticas criativas que transformem essas dimensões em campos de ação, emancipação e desejo.
A psicanálise, desde Freud, nasceu como uma prática de escuta que se organizou no entrecruzamento do discurso e do corpo. É na relação entre a fisicalidade (Körper) e a vivência subjetiva (Leib) que o sintoma emerge, ressignificando experiências traumáticas e abrindo espaço para novos significados.
Na contemporaneidade, a psicanálise é convocada a pensar não apenas o corpo do sintoma, mas também o corpo como território de cruzamentos simbólicos, políticos e criativos. Em tempos marcados pela hiperconectividade, pela violência sistêmica e pelas políticas de exclusão, os corpos emergem como espaços de confronto e potência.
O Brasil, como território marcado pela desigualdade e pelo racismo, nos apresenta um desafio inescapável: pensar práticas psicanalíticas que respondam às demandas de populações excluídas e marginalizadas, espaço onde podemos voltar a ser pretos, ser trans, ser LGBTQIAPN+, ser mulher e devires-outros. A subversão é chave. Abram os portões!
Explora práticas médicas humanizadas que colocam a subjetividade no centro do cuidado, abordando desde os impactos do trauma em doenças autoimunes até saberes ancestrais como alternativas de cura e transformação.
Discute as influências dos padrões estéticos globais e locais na subjetividade, a presença do corpo digital nas redes sociais e no metaverso, e as transformações das corporeidades na arte, na mídia e na cibercultura.
Foca nas condições de precarização e desgaste do corpo no trabalho informal, na experiência de corpos transculturais em contextos migratórios e na mercantilização do corpo no consumo cultural.
O foco está nas pedagogias do corpo que articulam a expressão física com o desenvolvimento subjetivo, nas relações entre gênero e sexualidade no ambiente escolar, e no papel do corpo na formação docente.
Aborda o corpo como locus de memória e narrativa, considerando suas dimensões ritualísticas, espirituais e culturais. Práticas religiosas, rituais ancestrais, modificações corporais e expressões de identidade são temas centrais.
O corpo é pensado como território de resistência frente às necropolíticas, destacando a inclusão de corpos marginalizados, como pessoas negras, trans, LGBTQIAPN+, migrantes e com deficiência.
Concentra-se no corpo como expressão do inconsciente e palco do sintoma, articulando as dimensões do corpo-desejante, do corpo como território de transformação e das práticas psicanalíticas que potencializam a emancipação subjetiva.

UFRRJ/LEGESEX

ABRAI / Instituto Jacob Cristopher

UERJ/CPAPEC/EPEP

UERJ/CPAPEC/EPEP

UFRRJ/CPAPEC/EPEP

Doutorando e Mestre em Educação Contemporânea e Demandas Populares (PPGEduc/UFRRJ). Teólogo e Pesquisador na interface entre Psicanálise e Feminismos Plurais – Estudos de Gênero no Laboratório de Educação, Gênero e Sexualidades da UFRRJ, no Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde da UNIR e no Diversitas - FFLCH/USP. Coordenador do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanalise, Educação e Cultura, Membro no Coletivo Psicanalistas Unidos pela Democracia – PUD e Membro da Comissão Permanente da Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/Raça e Inclusão (CPID) da UFRRJ. Escritor por diversas Editoras no Brasil, Poeta e Bolsista CAPES.

Doutorando em História (UERJ). Mestre e Licenciatura em História (UNIRIO). Pós-graduado em Psicanálise e Saúde pelo (SEPAI-RJ). Pós-graduado em Orientação, Supervisão e Gestão Escolar (UNINTER). Pós-graduado em Ciências da Religião (AVM/UCAM). Bacharel em Teologia (FACETEN). Psicanalista e Pesquisador no Laboratório de Educação, Gênero e Sexualidade da UFRRJ, no Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde/UNIR e no Grupo ÁFRICAS Sociedade, Política e Cultura (UERJ-UFRJ). Coordenador do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura.

Doutor em Psicanálise, Saúde e Sociedade pela Universidade Veiga de Almeida (UVA); Mestre em Ciências em Engenharia Mecânica pela COPPE/UFRJ; Especialista em Clínica Psicanalítica na Universidade Santa Úrsula (USU); Coordenador da Especialização em Teoria e Clínica Psicanalítica Freud-Lacaniana da Universidade Santa Úrsula (CEPCOP/USU). Psicanalista Membro Titular da Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle (SPID). Membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi (GBPSF). Coordenador do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura (CPAPEC).
Os Certificados serão emitidos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
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CONTRIBUA EM apoia.se/cpapecCorpos em Movimento 2025 é um espaço para o encontro, a escuta e a criação. Juntos, podemos transformar as narrativas sobre o corpo em forças afirmativas que amplifiquem o desejo, a autonomia e a potência dos sujeitos. Seja parte dessa jornada de transformação social e subjetiva.